Cidades Sustentáveis e Inteligentes (parte 01)

Acompanho o trabalho de muitos colegas e amigos Arquitetos e Urbanistas em seus projetos de planejamento urbano, de loteamentos, de edificações e de planos diretores. Também  acompanho Seminários e Congressos sobre Sustentabilidade e me pergunto: Como devemos planejar uma cidade para um futuro sustentável? Como definir o que é uma cidade verde?

Estas são algumas indagações que levaram a PAGE/MT, via PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento a contratar a elaboração de uma nova metodologia para Gestão Municipal, denominada Planos Diretores em municípios “pequenos”. Um Plano para uma cidade-região que busque um desenvolvimento municipal eficiente em termos de recursos, com baixa emissão de carbono, resiliente ao clima e socialmente inclusiva, gerando oportunidades de emprego verdes.

Mas o leitor sabe o que é emprego verde? Bom… vou resumir com base no conceito estabelecido pela OIT – Organização Internacional do Trabalho: Basicamente é aquele relacionado a transformação das economias, das empresas, dos ambientes de trabalho e dos mercados laborais em direção a uma economia sustentável que proporcione trabalho decente com baixo consumo de carbono.

Explicado isso, uma reflexão se faz necessária: Como entendemos cidades inteligentes, cidades verdes e cidades verdes + inteligentes?

Uma Cidade Inteligente é verde e uma Cidade Verde é inteligente! Bom, vamos lá…. Na 2019 Regional Ministerial Conference on Green Economy em um curso ministrado pela GGGI – Global Green Growth Institute’s, uma cidade verde inteligente é bem governada, inclusive, gerencia seus recursos sócio-econômico-ambientais de forma sustentável através das tecnologias e informação e comunicação – TIC. É capaz de fornecer serviços eficientes, acessíveis e eficazes em termos de recursos para todos através de “abordagens e sistemas inteligentes”

Três fatores se mostraram prioritários para transformar as cidades de hoje em cidades verdes e inteligentes: Integração do crescimento verde no planejamento municipal, gestão e finanças; Apoio a sistemas municipais circulares e econômicos; e infraestrutura municipal sustentável e transporte para apoiar cidades conectadas e saudáveis.

Em Seul, na República da Coreia, por exemplo os cidadãos pagam pelo lixo que geram, ou seja, de acordo com o volume de lixo gerado. As sacolas são compradas em locais designados pelos governos locais. Os sacos padrão também variam em cor e tamanho de acordo com a finalidade pretendida.

A geração e eliminação de resíduos são coletadas automaticamente por meio da venda de sacos de lixo. A máquina de desperdício de alimentos em escala de peso incentiva as famílias a reduzir a geração de resíduos alimentares.

Enquanto as vendas e distribuição de sacolas para fins comerciais são comissionadas para empresas privadas, as famílias usam cartões especiais para pagar o descarte de alimentos na máquina de desperdício de alimentos. O sistema denominado VBWF (sigla em inglês) reduziu a quantidade de geração de resíduos em 16,6% e aumentou a taxa de reciclagem de 15,7% para 43% (1994-2001).

Um outro bom exemplo é a reciclagem inteligente de resíduos via WebApp em Bogotá, Colômbia. Se usa Webapp como uma plataforma para conectar os provedores de serviços e geradores de resíduos de forma mais eficaz. Um kit de ferramentas abrangente sobre reciclagem e coleta de resíduos.

Sobre o aspecto social-ambiental-econômico, já proporcionou mais novos 200 empregos diretos, reduziu o aterro em 900kg de plástico, 600kg de metais e 550kg de produtos de papel durante seu programa piloto, e proporcionou a comercialização de produtos verdes por meio de um esquema de recompensas, fornecendo bons rendimentos aos trabalhadores do setor de gestão de resíduos.

Em Turim, na Itália, usando TI – tecnologia da informação simples se aumentou a separação/coleta adequada de resíduos orgânicos, baseado em sensor nas caixas de resíduos orgânicos. Ou seja, a caixa de resíduos orgânicos distribuída pelo governo municipal tem um chip informativo para enviar uma informação para as empresas de coleta quando ela é colocada fora de casa.

O chip de informações também monitora a separação de resíduos na fonte, analisando a composição dos resíduos nas caixas. O chip também evita o roubo de caixas de resíduos orgânicos e seu custo é de apenas 5 euros.

Estes são apenas alguns exemplos de soluções que utilizaram TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação em países que se preocupam com o Desenvolvimento Sustentável. Existem outros bons exemplos na área de mobilidade inteligente verde, construção civil com cidades inteligentes e resilientes ao clima, que será abordado em outro artigo.

Por agora, precisamos perceber e entender que a 4ª Revolução Industrial marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas, veio para revolucionar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. E existem entidades, como a Academia de Arquitetura e Urbanismo – AAU-MT, que se preocupa em como esses processos e tecnologias serão aplicados em nossas cidades – municípios, para transforma-los em verdes e inteligentes, portanto, sustentáveis com qualidade de vida para os cidadãos.

Mas se faz urgente/urgentíssimo que as Faculdades de Arquitetura e Urbanismo e as Engenharias passem a abordar em seus Planos de Ensino/Aula e nos seus Projetos Políticos Pedagógicos a sustentabilidade, as TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação e a IA – Inteligência Artificial como foco no Planejamento e Gestão das nossas cidades verdes + inteligentes.

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About Eduardo Cairo Chiletto

Arquiteto e Urbanista - Presidente da Academia de Arquitetura e Urbanismo-MT. Coordenador Nacional de Projetos da PAGE - Brasil (2018 - 2023). Secretário de Estado de Cidades-MT (2015-2016)... Conselheiro e Vice-presidente do CAU/MT - Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (2015-2017)
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