
Como já publicado no meu artigo: Mudanças Climáticas: A Crise Hídrica… As mudanças climáticas estão a afetar a disponibilidade e qualidade da água potável e o saneamento, agravando problemas de saúde pública e ambiental. Alterações nos padrões de precipitação, aumento das temperaturas e eventos extremos (secas, inundações) impactam o ciclo da água e a qualidade da água, com consequências diretas na acessibilidade à água potável e na capacidade de tratamento de esgoto.
Inclusive as mudanças climáticas podem comprometer a disponibilidade hídrica em todo o território brasileiro até o final do século, segundo um novo estudo publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment. Regiões como Sudeste e Sul devem ficar mais secas à medida que a temperatura aumenta e a distribuição de chuvas se torna mais desigual.
E o relatório da ONU – Organização das Nações Unidas, “Relatório de Riscos e Desastres Interligados 2023” alerta para seis pontos de inflexão de risco interligados: Entre eles o esgotamento das águas subterrâneas. O que coloca em risco inclusive o abastecimento de alimentos.
Cerca de 70% das retiradas de águas no subterrâneas, no mundo, são utilizadas para a agricultura. Hoje, os aquíferos ajudam a mitigar metade das perdas na agricultura causadas pela seca, um fenômeno que só deverá aumentar no futuro devido às alterações climáticas. Importantíssimo ressaltar que mais da metade dos principais aquíferos do mundo estão se ESGOTANDO mais rapidamente do que podem ser reabastecidos naturalmente.
A água doce do planeta está ameaçada e já perdemos 64% das terras úmidas do planeta desde 1900.
Consequências para a Saúde e o Meio Ambiente:
- Saúde: A contaminação da água potável e a falta de saneamento básico podem levar ao aumento de doenças transmitidas pela água e ao comprometimento da saúde pública.
- Meio Ambiente: A poluição da água, a degradação dos ecossistemas aquáticos e a alteração do ciclo da água são consequências diretas das mudanças climáticas e da falta de saneamento adequado.
E o que pode ser feito a respeito deste importante assunto?
- Investimentos em Infraestrutura: É fundamental investir em infraestrutura para o saneamento, incluindo a coleta, tratamento e distribuição de água, assim como a gestão de resíduos sólidos.
- Gestão Sustentável da Água: A gestão da água deve ser integrada com as estratégias de adaptação e mitigação às mudanças climáticas, buscando o uso eficiente e a preservação dos recursos hídricos.
- Educação Ambiental: A educação sobre o uso racional da água e a importância do saneamento é essencial para promover hábitos sustentáveis e reduzir o desperdício.
- Ações de Mitigação: A redução das emissões de gases de efeito estufa e a adoção de práticas sustentáveis em diversas áreas, como a agricultura e a indústria, são fundamentais para mitigar as mudanças climáticas.
Em suma, as mudanças climáticas e a falta de saneamento básico são problemas interligados que demandam ações urgentes e coordenadas para garantir a disponibilidade de água potável, a qualidade do saneamento e a saúde pública, em um futuro mais sustentável.
Em um país que enfrenta desafios tão diversos quanto às mudanças climáticas e a carência de serviços públicos essenciais, o saneamento básico se apresenta como uma solução estratégica para mitigar impactos ambientais e sociais. E aqui dou um exemplo: no Estado de Mato Grosso somente 55,7% da população tem acesso à rede de coleta de esgoto, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Mais detalhes:
- Rede de água: 85,9% da população com acesso.
- Tratamento de esgoto: Somente 43,4% do volume de esgoto gerado é tratado.
- Acesso a água potável: Cerca de 87% da população tem acesso a água potável, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil.
- Coleta de esgoto: Somente 40,3% têm acesso à coleta de esgoto.
- Volume de esgoto não tratado: 40,9% do esgoto gerado não é tratado, o que equivale a despejar 79 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento no meio ambiente todos os dias, conforme levantamento do Instituto Trata Brasil.

Segundo a Gazeta Digital, apenas 48 dos 141 municípios mato-grossenses possuem um Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e destes, 45 abrangem o abastecimento de água, 40 esgotamento sanitário, 36 a limpeza pública e manejo de resíduos sólidos. Apenas 32 dos planos incluem projeto de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e 23 têm ações para emergências e contingências. Os baixos números explicam o motivo de 48% das cidades do Estado terem registros de endemias ou epidemias de doenças ligadas ao saneamento básico. Os dados são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais que traça o perfil dos municípios brasileiros com relação ao saneamento básico.
Vale ressaltar que a crise climática impõe transformações drásticas no ambiente e na vida das populações. Secas prolongadas, aumento das temperaturas e variações nos índices pluviométricos agravam problemas já existentes, sobretudo na área do saneamento. A ausência de tratamento adequado do esgoto, por exemplo, pode contaminar fontes de água potável e intensificar os efeitos das mudanças climáticas.
Importante ainda salientar que a falta de saneamento adequado afeta tanto grandes centros urbanos quanto regiões rurais. Nas cidades, a deficiência na coleta e tratamento de esgoto pode causar enchentes e alagamentos, criando um ambiente propício à proliferação de doenças e comprometendo a saúde pública. Em áreas rurais e periferias, o cenário é ainda mais crítico, devido à precariedade da infraestrutura e à dificuldade de acesso a soluções de engenharia moderna.
Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta que eventos climáticos extremos e mudanças nos padrões do ciclo da água estão dificultando o acesso à água potável, especialmente para as crianças mais vulneráveis. Segundo a entidade, somente na América Latina e no Caribe, 17,8 milhões de crianças e adolescentes vivem em áreas de vulnerabilidade hídrica alta ou extremamente alta. “Isso significa que elas não têm água suficiente para atender às suas necessidades diárias”, acrescenta a UNICEF.
E segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: A previsão do tempo nos oceanos chegou… e é alarmante: + 2 graus na temperatura global significa 99% dos recifes de coral morrer, + 1 metro de aumento no nível do mar, e grave perda do habitat da vida marinha.
O oceano é o sistema de sustentação da vida no nosso planeta e regula o clima global. É o maior ecossistema do mundo, abriga cerca de um milhão de espécies conhecidas e possui um vasto potencial ainda inexplorado para descobertas científicas. Proteger o oceano é proteger toda a vida na Terra.
No entanto, as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição estão degradando nossos oceanos, prejudicando a vida marinha, ameaçando os meios de subsistência das comunidades costeiras e impactando negativamente a saúde e o bem-estar.
Importante destacar que o objetivo do ODS 6 – Água Potável e Saneamento é: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Cujas metas são:
- 6.1 Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos;
- 6.2 Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, e acabar com a defecação a céu aberto, com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e daqueles em situação de vulnerabilidade;
- 6.3 Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição, eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e reutilização segura globalmente;
- 6.4 Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água;
- 6.5 Até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via cooperação transfronteiriça, conforme apropriado;
- 6.6 Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos;
- 6.a Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à capacitação para os países em desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água e saneamento, incluindo a coleta de água, a dessalinização, a eficiência no uso da água, o tratamento de efluentes, a reciclagem e as tecnologias de reuso;
- 6.b Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do saneamento.
Em geral, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir as metas globais estabelecidas para 2030, principalmente em relação à universalização do acesso à água tratada e ao saneamento básico. E volto a dizer: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” (Geraldo Vandré: Para não dizer que não falei das flores).
Próximo artigo será: ODS 7: Energia Limpa e Acessível – Mudanças Climáticas.
Eduardo Cairo Chiletto