
A Assembleia Ambiental da ONU (UNEA – United Nations Environment Assembly) é o principal órgão decisório global sobre questões ambientais. Ela integra o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e reúne todos os 193 estados-membros da ONU para definir prioridades ambientais, apoiar acordos internacionais e orientar a ação global.
Vale ressaltar que a UNEA foi criada no Brasil em 2012 durante a Rio+20, e reúne-se regularmente em Nairóbi (Quênia), sede do PNUMA. Tem autoridade para aprovar resoluções, declarações políticas e impulsionar negociações de tratados ambientais.
Mas qual o papel da Assembleia Ambiental da ONU na agenda climática? Embora o Acordo de Paris seja negociado na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), a UNEA complementa esse processo ao:
1. Aprovar resoluções relacionadas ao clima
Exemplos de temas frequentes: 1. Poluição plástica e microplásticos (que impactam emissões e ecossistemas); 2. Restauração de ecossistemas e soluções baseadas na natureza; 3. Transição energética e redução de poluentes climáticos de vida curta (como metano e carbono) e; 4. Economia circular e padrões sustentáveis de consumo e produção.
2. Fortalecer a base científica
A UNEA pede ao PNUMA relatórios que orientam decisões climáticas, como: 1. Relatórios sobre emissões, finanças verdes e adaptação e; 2. Avaliações ambientais globais (Global Environment Outlook – GEO);
3. Estimular cooperação internacional
A UNEA funciona como espaço político de alto nível que: 1. Pressiona por maior ambição climática; 2. Alinha ações ambientais com os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) e; 3. Fortalece a sinergia entre Acordo de Paris, Convenção da Biodiversidade (CBD) e Convenção da Desertificação (UNCCD).
Vale ressaltar que existe um artigo que publiquei no meu blog sobre Os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as Mudanças Climáticas. e também um artigo para cada um dos 17 ODS relativo as mudanças climáticas.
4. Debater temas emergentes
As sessões recentes discutem: 1. Impactos climáticos em países vulneráveis; 2. Abandono de combustíveis fósseis; 3. Gestão de substâncias químicas e resíduos que afetam clima e; 4. Tecnologias limpas e financiamento climático.
Desta forma a Assembleia Ambiental da ONU ajuda a:
- Criar coerência internacional entre políticas ambientais e climáticas;
- Acelerar medidas de mitigação e adaptação;
- Dar visibilidade global a temas climáticos que não são totalmente abrangidos pela UNFCCC.
Vale destacar que a sétima edição do encontro que reúne todos os Estados-membros que começou na segunda-feira (dia 08/12/2025) e foi até o dia 12/12/2015, discutiu temas como derretimento de geleiras e impacto ambiental da inteligência artificial; decisões em edições passadas já prepararam caminho para acordos internacionais importantes.
Mais de 6 mil pessoas de 180 países, incluindo 79 ministros e 35 vice-ministros, se reuniram em Nairobi, no Quênia, para definir prioridades para políticas ambientais globais. O encontro ocorreu em um momento considerado crítico para o planeta, em que as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição, estão levando os sistemas naturais ao seu limite, com consequências potencialmente desastrosas para a humanidade.
Como está no site das Nações Unidas: “Inger Andersen lembrou que o aumento da temperatura provavelmente ultrapassará 1,5°C na próxima década, que ecossistemas estão desaparecendo e que toxinas continuam poluindo o ar, a água e a terra. Ela reconheceu que “o mundo está em águas geopolíticas turbulentas”, o que adiciona tensões aos processos multilaterais, mas ressaltou que todos querem “um clima estável, um ambiente seguro, limpo e sustentável e um futuro livre de poluição”.
Vale também ressaltar a publicação da UNEP (PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) onde destaca 05 soluções de transformação para um planeta sustentável:
- Países precisam reformar suas políticas econômicas, hábitos de consumo e setores financeiros para que eles cuidem do meio ambiente;
- O mundo deve abandonar os combustíveis fósseis e aumentar a produção de energia renováveis, ao mesmo tempo em que amplia a eficiência energética;
- A agricultura deve se tornar mais eficiente e menos prejudicial ao meio ambiente, enquanto o mundo precisa mudar para dietas sustentáveis e reduzir o desperdício de alimentos;
- Países precisam adotar modelos econômicos circulares, mantendo recursos por meio de práticas de redesenho, reutilização, reparo e reciclagem;
- Acabar com o declínio da natureza é crucial para construir um futuro mais sustentável, com um grande impulso para proteger e restaurar o mundo natural.
Eduardo Cairo Chiletto