
Na tradição cristã, o purgatório é um estado de purificação, onde as consequências dos atos humanos são enfrentadas antes da reconciliação plena. As mudanças climáticas, vistas de forma simbólica, podem ser entendidas por alguns como um tipo de “purgatório coletivo”:
- Não é o fim do mundo,
- Mas um período difícil causado por ações humanas (poluição, consumo excessivo, desmatamento), que exige mudança de comportamento para evitar algo pior na Casa Comum feita por Deus na qual somos responsáveis.
A principal conexão reside no uso da linguagem religiosa em debates ambientais:
1. Purgatório Climático”: A expressão é usada em artigos e discussões para descrever um período de transição difícil e doloroso, ou um estado de sofrimento prolongado na Terra, como consequência da degradação ambiental e do aquecimento global;
2. Conscientização e Ação: O uso dessa metáfora serve para enfatizar a urgência e a gravidade da situação, sugerindo que a humanidade está passando por um período de “purificação” ou provação devido aos seus pecados (ações predatórias) contra o meio ambiente, e que ações imediatas são necessárias para evitar um “inferno” climático irreversível.
Vale ressaltar que a doutrina católica define o purgatório como uma purificação final das almas que morrem na graça de Deus, mas ainda não estão completamente purificadas para entrar no céu; é um conceito espiritual e pós-morte, distinto do castigo eterno. A Igreja Católica, através de figuras como o saudoso Papa Francisco, tem se posicionado ativamente sobre as mudanças climáticas em encíclicas como a Laudato Si‘, argumentando que a crise ambiental é uma crise moral e espiritual causada pelo consumismo imoral e pelo abuso do planeta, e pedindo ações urgentes, mas sem fazer uma ligação doutrinária direta com o purgatório.
Já do ponto de vista científico, as mudanças climáticas são um fenômeno comprovado, impulsionado pela ação humana, especificamente pela emissão de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. As consequências são físicas e mensuráveis, como o aumento das temperaturas globais, eventos climáticos extremos e a perda de biodiversidade.
A responsabilidade moral coloca que muitas tradições religiosas, incluindo o cristianismo, falam de cuidado com a criação. Nesse sentido: a degradação ao meio ambiente não é só um erro técnico, mas também ético e moral; e as consequências climáticas afetam mais os pobres e vulneráveis, o que levanta questões de justiça social. Desta forma, o “sofrimento climático” pode ser visto como resultado da falta de responsabilidade coletiva.
Importante dizer que no purgatório, há a ideia de transformação. Aplicando isso às mudanças climáticas: 1. Adotar formas de vida mais sustentáveis; 2. A crise climática pode forçar a humanidade a repensar valores; 3. Abandonar o desperdício e; 4. Desenvolver solidariedade entre gerações,
É essencial lembrar que as mudanças climáticas não são um castigo divino, segundo a ciência. Elas têm causas bem documentadas (emissões de gases, uso de combustíveis fósseis etc.). Desta forma, a ligação com o purgatório é simbólica e reflexiva, não científica.
Em suma, enquanto o purgatório é um conceito teológico sobre a purificação da alma após a morte, a expressão “purgatório climático” é uma figura de linguagem usada para ilustrar metaforicamente as consequências severas e o período desafiador que a humanidade enfrenta devido à crise climática atual.
Desta forma, pensar as mudanças climáticas à luz do purgatório pode ajudar algumas pessoas a refletir sobre responsabilidade, consequências e transformação, mas as soluções concretas dependem de ciência, políticas públicas e ações individuais e coletivas.
Ou seja: a relação entre o purgatório e as mudanças climáticas não é teológica, mas sim metafórica e retórica, com alguns autores e publicações utilizando o conceito de “purgatório climático” para descrever um estado de sofrimento da humanidade e dos seres vivos, ou purificação na Terra devido à crise ambiental.
Vale muito ressaltar que “Deus provê, Deus proverá, sua misericórdia não faltará” (canção cantada por minha irmazinha Maria Claudia (https://www.youtube.com/watch?v=Y8kUeMduPZM) pela arquidiocese do Rio de Janeiro. Sendo uma frase de fé e um refrão central no Terço da Divina Providência, uma devoção católica que expressa confiança na ajuda de Deus em todas as necessidades, tanto materiais quanto espirituais, invocando Nossa Senhora como Mãe da Providência para interceder. A mensagem reforça que Deus cuida de tudo e que Sua bondade é eterna, não faltando nunca o auxílio divino para o ser humano. Mas a humanidade precisa agir para acabar com as emissões de gazes do efeito estufa e o desmatamento.
E volto a dizer, como mencionado no post O Amor e as Mudanças Climáticas. Como me ensinaram meus amados e falecidos pais (Carlos Ricardo Chiletto e Yara Cairo Chiletto): “Palavras o vento as leva. Ação leva ao coração“. Desta forma, é crucial que a humanidade tenha fé e aja urgentemente em relação às mudanças climáticas. As consequências do aquecimento global já são visíveis e podem se intensificar se não houver AÇÕES concretas para mitigar o problema e desta forma a humanidade pode realmente passar por um verdadeiro Purgatório Climático.
Eduardo Cairo Chiletto