Políticas Urbanas Sustentáveis e as Mudanças Climáticas.

Paris proibiu obras de edifícios feitos com 100% CONCRETO como parte de uma nova política urbana sustentável. A medida faz parte do Plano Urbano Bioclimático Local (PLUb), aprovado pelo Conselho Municipal e em vigor desde janeiro de 2025.

Mas o que essa proibição significa? Significa que os projetos novos devem usar materiais com baixo carbono, como:

  • Madeira
  • Pedra natural
  • Hempa (cânhamo)
  • Terra crua
  • E outros materiais biossourced (fontes biológicas ou recursos renováveis), ou  reutilizados.

O plano banirá a construção de edifícios feitos exclusivamente de concreto sem materiais de baixo impacto ambiental.

A decisão é parte de um esforço mais amplo para:

  • Reduzir as emissões de carbono da construção civil;
  • Priorizar a renovação de prédios existentes em vez da demolição e reconstrução;
  • Melhorar o conforto térmico e eficiência energética das edificações;

Vale ressaltar que tudo está alinhado com as metas de Paris de neutralidade de carbono até 2050. Principais impactos:

  • Projetos 100% em concreto não poderão mais ser aprovados sob o novo regulamento de planejamento urbano.
  • As construtoras e arquitetos terão que repensar o uso de materiais, incentivando soluções mais ecológicas e sustentáveis.

Segundo Ciarán James Breen no Linkedin: Isso não é apenas mais um documento de planejamento. É um plano legalmente vinculativo para tornar Paris neutra em carbono até 2050. Adotado no final de 2024, e que entrou em vigor em janeiro de 2025.

E são 7 disposições-chave que remodelam Paris:

Materiais biofontes priorizados: Projetos de concreto 100% efetivamente proibidos. Madeira, cânhamo, palha, pedra e terra se tornam a norma.

Índice de recobrimento urbano: Novas exigências de vegetação fortalecem telhados verdes, fachadas e pátios.

Padrões energéticos aprimorados: Novas construções devem superar os requisitos nacionais do RE2020 (Réglementation Environnementale 2020) é a norma francesa para edifícios novos, implementada em 2022, visando a neutralidade de carbono até 2050;
Disposições sociais: 828 propriedades reservadas para habitação social em bairros mais ricos.

Mistura funcional: Projetos de escritórios com mais de 4.500 m² devem incluir moradia.

Permissões baseadas em desempenho: Os projetos devem superar 3 dos 9 critérios ambientais para obter aprovação.

  • 80 novos distritos para pedestres: e o anel viário périphérique torna-se um boulevard urbano.

Vale ressaltar que novos edifícios devem integrar o design bioclimático e superar os padrões nacionais de energia. O aquecimento distrital passa para fontes renováveis e recuperadas.

E para o transporte os carros perdem prioridade: A visão é ter uma “cidade de 15 minutos” onde as necessidades diárias estão a uma caminhada ou passeio de bicicleta com duração máxima de 15 minutos.

Desta forma, a política urbana sustentável é crucial para enfrentar as mudanças climáticas, focando na mitigação (redução de emissões de GEE) e adaptação (aumento da resiliência a eventos extremos). As cidades estão na linha de frente dos impactos climáticos. Como Arquiteto e Urbanista que sou, com mestrado em Física Ambiental pela UFMT, sei que o planejamento urbano eficaz é essencial para a segurança da população

E as estratégias de política urbana sustentável incluem:

  • Mobilidade Urbana Sustentável: Incentivo ao transporte público de baixa emissão (ônibus elétricos/híbridos), estímulo ao uso de biocombustíveis e promoção de modais não motorizados (caminhada, bicicleta). O setor de transportes é um dos maiores emissores de CO2 no Brasil.
  • Gestão de Recursos Hídricos: Fechar o ciclo da água, incluindo a reutilização da água tratada, e implementar sistemas de captação de água da chuva para aumentar a resiliência hídrica, especialmente em áreas propensas à seca.
  • Soluções baseadas na Natureza (SbN): Uso de jardins de chuva, restauração de manguezais e criação de áreas verdes para ajudar na drenagem da água da chuva, reduzir ilhas de calor e proteger comunidades costeiras contra tempestades.
  • Gestão de Resíduos: Minimização da produção de lixo e gestão integrada de resíduos sólidos para reduzir a poluição e as emissões de gases de efeito estufa.
  • Eficiência Energética: Estímulo ao uso de fontes de energia limpa e renováveis, como energia solar e eólica, e redução do consumo de energia em edifícios e infraestruturas urbanas.
  • Planejamento e Redução de Vulnerabilidades: Mapeamento de áreas de risco (encostas, planícies de inundação) e integração da gestão de riscos climáticos nos planos diretores para proteger populações vulneráveis, que frequentemente vivem em assentamentos informais em áreas frágeis. 

Importante dizer que muitos municípios brasileiros enfrentam desafios como a falta de equipe técnica, orçamento e instrumentos legais adequados para implementar medidas eficazes. Apenas um pequeno número de municípios possui leis específicas de combate às mudanças climáticas. A superação desses desafios exige coordenação intersetorial e continuidade institucional. 

E volto a dizer que 2026 é um ano decisivo para o futuro do nosso país. Com eleições importantes se aproximando, temos a oportunidade de pressionar por políticas públicas para que a natureza seja protegida, os direitos dos povos originários respeitados e soluções sustentáveis priorizadas.

Importante destacar que segundo o UNDP Climate: “À medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos, a capacidade de antecipá-los deixa de ser opcional – é essencial para salvar vidas e proteger economias… As informações climáticas e os sistemas de alerta precoce devem estar no centro dos esforços de adaptação. Eles estão entre os investimentos mais econômicos e que salvam vidas que podemos fazer”. E a política está diretamente ligada a proteção socioeconômica de toda a população.

Eduardo Cairo Chiletto

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About Eduardo Cairo Chiletto

Arquiteto e Urbanista - Presidente da Academia de Arquitetura e Urbanismo-MT. Coordenador Nacional de Projetos da PAGE - Brasil (2018 - 2023). Secretário de Estado de Cidades-MT (2015-2016)... Conselheiro e Vice-presidente do CAU/MT - Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (2015-2017)
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